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Alegria não esquece o sofrimento
12/02/2010
Categoria: Vaticano

"Nós experimentamos uma alegria que não esquece o sofrimento, pelo contrário, o compreende. Desta forma, os doentes e todos os que sofrem são, na Igreja, não apenas destinatários de assistência e tratamento, mas em primeiro lugar protagonistas da peregrinação da fé e da esperança, testemunhas das maravilhas do amor, da alegria pascal que floresce da Cruz e da Ressurreição de Cristo", afirma o Papa.

Bento XVI expôs suas reflexões durante a homilia na Missa em Memória de Nossa Senhora de Lourdes, que também marca o 18º Dia Mundial do Doente e 25º aniversário de criação do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde.

A celebração aconteceu na Basílica de São Pedro, no Vaticano, às 10h30min (em Roma - 7h30min em Brasília) desta quinta-feira, 11. A liturgia foi precedida pela chegada das relíquias de Santa Bernadette Soubirous, jovem que teve aparições de Nossa Senhora em Lourdes, na França, em 1858.

.: NA ÍNTEGRA: Homilia de Bento XVI no Dia Mundial do Doente


Proximidade do Reino

Bento XVI explicou que as curas dos doentes nos relatos evangélicos são um sinal por excelência da proximidade do Reino de Deus.

"A Igreja, que possui a tarefa de estender, no espaço e no tempo, a missão de Cristo, não pode ignorar essas duas obras essenciais: a evangelização e o cuidado dos doentes no corpo e no espírito. Deus, de fato, deseja curar a pessoa como um todo e, no Evangelho, a cura do corpo é um sinal de uma reorganização mais profunda, que é a remissão dos pecados (cf. Mc 2, 1-12)", destacou.

Ao sublinhar o episódio em que Maria vai ao encontro de sua prima Isabel, o Papa indica que esse apoio prefigura toda a ação da Igreja no sustento da vida de quem necessita de cuidados. Ao mesmo tempo, destacou que o canto do Magnificat, destacado na liturgia, é expressão da fé de quem depositou em Deus suas esperanças.

"A maternidade da Igreja é reflexo de um amor cuidadoso de Deus. [...] Uma maternidade que fala sem palavras, que desperta nos corações a consolação, uma alegria íntima, uma alegria que, paradoxalmente, convive com a dor, com o sofrimento".

O Pontífice pergunta: "O sofrimento aceito e ofertado, a partilha sincera e gratuita, não são milagres do amor? A coragem de enfrentar o mal desarmado, com o poder da fé e da esperança no Senhor, não é um milagre que a graça de Deus desperta continuamente em tantas pessoas que gastam tempo e energia para ajudar aqueles que sofrem?"


Sacerdotes e doentes

O Santo Padre também enfatizou um vínculo existente entre os doentes e sacerdotes.

"Um tipo de aliança, de 'cumplicidade' evangélica. Ambos têm uma tarefa: o doente deve 'chamar' os sacerdotes, e eles devem responder, para atrair sobre a experiência da doença a presença e a ação do Senhor Ressuscitado e do seu Espírito. Aqui podemos ver a importância da pastoral dos enfermos, cujo valor é realmente incalculável, pelo bem imenso que faz, primeiro, aos doentes e aos próprios sacerdotes, mas também para os familiares, conhecidos, à comunidade e, por caminhos desconhecidos e misteriosos, à toda a Igreja e ao mundo", ressaltou.

Por fim, Bento XVI disse que a criação do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde foi uma forma de a Santa Sé contribuir para promover um mundo mais capaz de aceitar e tratar os doentes como pessoas.



Fonte: Leonardo Meira Da Redação CN

 

 
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